Anunciantes


Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo |  Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

sexta-feira, 17 de outubro de 2008



Ficção sem Nome (cont.)

No espisódio anterior nossos amigos Dionis e Molony conversavam sobre sua situação, na Infantaria Embarcada, proximidades de Saturno. Alguns dos leitores (dois) se interessaram em escrever o final da história. Todos os (dois) finais são muitos bons, mas nenhum tão bom quanto o meu; portanto optei por publica-lo.

Como assim não é democrático? Claro que é. O que aconteceu foi, digamos, uma reeleição do meu mandato como escritor da história.


Assim, sem mais, segue o fim desse intrigante conto:

(continuação:)

Molony coçou a cabeça, abriu a boca pra falar qualquer coisa mas foi interrompido pelo violento alarme sonoro (que lembrava a vinheta de um antigo jornal da televisão - mas como ele poderia saber?):

- Pa papa papa papapaaam... pa papa papa papa papaaam... thurum.

Em seguida ouviu-se a mensagem:

- Atenção funcionários ASeg e ADef, rotina 54, funcionários ASeg e ADef, rotina 54.

Dionis e Molony já estavam em seus postos antes do fim da mensagem. Colocaram os fones de ouvido no pescoço e apertaram ctrl+alt+del em suas estações. Molony tirou o telefone da base, e discou um número. Dionis digitava freneticamente.

- Radar maximizado no terminal 2 - gritou Dionis.
- Ok - rebateu Molony.
- Sistema de Danos ativo e operante, maximizado no terminal 3 - gritou Dionis.
- Ok - gritou Molony de volta.
- ...
- Que houve?
- Lembra a senha do Banco de Dados Balístico?
- $ER334>8C(
- Como vocês decoram essa porra...
- Abriu o SisBal no terminal? - Interrompeu Molony, visivelmente tenso.
- Tá, SisBal, terminal 1, máx.
- Alô! Sgt. Molony, Infantaria ER-334, em rotina 54! Gritou Molony para o telefone.

Mas do outro lado da linha, uma voz rouca e calma contrastava com todo o ambiente ao redor de Molony. A voz tranqüila disse suavemente, "Malony", uma pausa leve, "Tira seu pessoal daí". "Boa sorte", finalizou.

Molony baixou o telefone e olhou ao fundo a janela. Uma luz branca, linda, vinha em sua direção. Dionis virou-se para Molony e só então percebeu a janela cada vez mais clara. Abriu bem os olhos pela última vez.

Seu último pensamento foi:

- Azeus filho de uma p...

FIM

quinta-feira, 25 de setembro de 2008



Ficção sem Nome

Este é o primeiro post de uma série sobre Ficção 2.0. Depois do Projeto #microconto via Twitter, voltamos ao blog pra começar uma história e deixar a cargo dos leitores terminá-la. Assim todo mundo ganha. O autor escreve menos, o leitor acha que participa e quem sabe eu não apareço nessas revistas contando sobre o novo processo criativo derivado da web 2.0? Acreditem, se eu ganhar algum, prometo esquecê-los rapidinho...

Segue nossa primeira história:

- Cacete!
- Que houve?
- Nada, não. Droga de frio - reclamou Dionis, esfregando os braços. Droga de friaca, onde a gente tá afinal, Plutão?
- Na verdade estamos perto de Saturno. Dá pra ver o anel? - Brincou o sargento Molony.
- Dô não, dô porra nenhuma. Muito menos pra ver lixo em órbita. Vou pegar um café.
- Pega pra mim também.

Dionis volta, dois cafés na mão.

- Cheguei lá tinha acabado, tive que fazer um novo. Tá, fresco?
- Engraçadinho. Seu café é uma merda, mas pelo menos tá quente.
- Quando esse frio vai diminuir?
- Não vai, porque iria? Estamos cada vez mais longe do Sol...
- Eu sei, porra, mas quando a gente volta?
- Ah, não sei...
- Sabe sim, só não pode falar.

Molony sorriu levemente, levando o café à boca em seguida.

- Porra, ficar de plantão nessa porra é maior furada - Dionis não se conformava.
- Quem mandou entrar pra Infantaria...
- Eu fiz prova pra piloto, não passei. E você? Todo estudado e entendido aí, porque tá nessa roubada?
- Sei lá... Pára de reclamar. Segura um cigarro aí.
- Pode fumar aqui??
- Poder não pode... - Molony acende o cigarro - Mas se você não contar, eu também não conto.

Dionis dá duas baforadas e se enconsta. Olha pela janela, distante, e pergunta quase que para si mesmo:

- Você lembra do Azeus?
- Aquele baixinho, do 3o. Regimento?
- Ele mesmo. Lembra que ele tinha um irmão na Inteligência, e que enchia o saco dizendo que ia ser nosso comandante um dia... Lembra? Como era folgado aquele pilantra...
- Mas por que você tá falando dele?
- Sei lá... nunca mais ouvi falar dele.
- Acho que morreu naquela operação em Marte, aquele cerco uns 2 anos atrás.
- Pertinho de casa... A gente sai um dia e não sabe se volta... - Dionis continuava olhando pela janela.

(continua...)

sexta-feira, 4 de julho de 2008



Coca-cola e blogueiros de aluguel

Interrompo meu período sabático para declarar: não gosto de Coca-cola e não gosto de blogs sem personalidade. Os anúncios Adsense que se vêm neste site (acima, à direita e abaixo) são meramente estéticos e renderam desde 2005 US$ 4,30 a estes que vos fala, valor totalmente convertido em doações ao Red Cross Disaster Relief Fund.

Voltemos à falta de programação normal.

quarta-feira, 21 de maio de 2008



Saudades da Invernada de Olaria

Nos fins de semana da década de 60 era obrigatório assistir os jogos de futebol da equipe da Invernada, cujo “homem gol” era Lincoln Monteiro, um dos chamados “Homens de Ouro”. Na zaga havia um xerife que não figurava nos quadros da polícia, mas viria a ser tricampeão no México, onde foi considerado o atleta de melhor preparo físico da Copa de 1970. Seu nome: Hércules Brito Ruas e fez história na zaga do Vasco, ao lado de Fontana.

Assistíamos às partidas sentados em troncos existentes à volta do campo, onde hoje é uma praça.
Em meio aos policiais de ofício, ouvíamos conversas de pé de ouvido, combinando ações que apareceriam nos jornais, e seriam atribuídas a um tal de “Esquadrão da Morte”.

Era época de Le Coq, Mariel Mariscot, e os bandidos, como Cara de Cavalo e o romântico Lucio Flavio Vilar Lírio, tinham medo da Invernada.
Com Humberto de Mattos, o respeito pela Invernada continuou. Polícia era polícia e bandido era bandido. Simples assim.

Agora, tantos anos depois, é a polícia que nos tira o sossego. Não de forma proposital mas, por se tornarem alvos. E, quando os alvos ficam em nossas portas, também nos tornamos alvos, além de surgirem pequenos atritos. Com o cerco aos acessos ao morro do Cruzeiro, ruas tão pacatas como a Gomensoro, Bernardino Gustavino e Pinto Júnior entre outras, passaram a ter presença constante da polícia (inclusive BOPE, CORE e RONAC), por se tratar de um excelente ponto de observação. Os moradores, que há mais de três décadas não tinham qualquer problema relacionado com violência, nos últimos 90 dias não podem sequer sair de casa, sem correr risco de vida.
Pelos rádios da polícia são ouvidas provocações. A resposta é uma rajada de balas, não importa em que direção, com o rádio ligado. O importante é o recado para os provocadores: “ouçam a música”.
As luminárias que tão bem iluminavam o local, foram destruídas pelos próprios policiais e a Rio Luz se recusa a trocá-las alegando que é perda de tempo, já que elas seriam destruídas novamente.

O clímax ocorreu no domingo, 18 de maio de 2008, às 22:50h, quando um policial desceu de uma viatura do 16o batalhão e efetuou vários disparos contra uma residência. No local mora um casal de 80 anos desde 1964. Um dos projéteis ficou alojado num dos veículos que estavam na garagem, podendo ser usado para determinar de que arma foi disparado, desde que haja interesse das autoridades.
Fica a dúvida: vale a pena reclamar no batalhão? Será que não estaremos reclamando diretamente com o autor dos disparos?
Fica a sugestão ao nosso governador para tentar identificar este policial, pois é de homens com esta coragem que precisamos para combater a criminalidade, deixando que as pessoas de 80 anos ainda possam morrer de velhice.

Que saudade do tempo em que bandido não vestia farda com tanta facilidade.
Que saudade do tempo em que o Vasquinho driblava vários adversários e, após driblar o goleiro, deixava o patrão Lincoln Monteiro mandar a bola para as redes. Apesar do uniforme ser do Bangu, e doado pelo sr. Castor de Andrade, tudo terminava em churrasco e podíamos andar à vontade pela região a qualquer hora do dia ou da noite, com a proteção da INVERNADA DE OLARIA.


CAMC – Morador de Olaria há 44 anos.