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Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo |  Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

quinta-feira, 16 de agosto de 2007



Mantenha o céu escuro

Vocês já devem ter percebido que há por aí uma grande campanha sendo montada, tendo como objetivo acabar com a Internet como conhecemos. Tal campanha é patrocinada especialmente por aqueles que não aprenderam ainda como lucrar e expandir seus monopólios para o cyber-território democrático que conseguimos defender até hoje.

Esses dias Elton John afirmou que a Internet é prejudicial a ele, ou melhor, à Música, e sugeriu o fechamento da mesma por cinco anos. Mas não foi nada de mais, seu geriatra já receitou nova medicação.

O que ninguém sabia, e eu revelo agora em primeira mão, é que foi detectado nos servidores da Cia que a declaração de Elton John pode (deve) ter relação com uma campanha da AGMC (Associação das Gravadoras Musicais Caducas) de utilizar artistas atuais (Elton John, Bob Dylan, Nat Cole, Bruce Springsteen, Michael Jackson) para minar a opinião pública sobre a Internet. O próximo alvo: a máquina de xerox.

Afinal de contas, a humanidade era muito mais feliz quando não se podia saber o que acontece do outro lado do mundo em instantes. Quando não se tinha webcams para conversar com pessoas ou simplesmente ver as ruas de Times Square, ou o pôr-do-sol em Tóquio.

Como era bom escrever uma carta e esperar 2 meses pela resposta daquele familiar em outro continente. Esperar chegar em casa para saber as notícias do dia. Ter que procurar jornal para saber a previsão do tempo.

Quer infelicidade que sentimos, não só de saber, mas de "sentir" que a Terra é redonda, e ver fotos via satélite de Foz do Iguaçú, os vulcões do Chile e os cassinos de Las Vegas...

Como é triste popularizar os blogs e a linguagem escrita. Unir pessoas que não se viam há tanto tempo. Compartilhar interesses. Assistir um vídeo do último congresso mundial de fãs de Star Wars.

Não me surpreenderia se um grupo desses resolvesse lutar contra a Lei da Gravidade, tão maléfica e responsável por tantas quedas mundo afora (que adiantaria alguém tentar explicar que sem a gravidade seríamos arremessados ao Espaço)...

Sinceramente, se essas pessoas querem abraçar uma causa, eu tenho várias sugestões.

Passando rapidamente pelas mais simples, que tal defender a natureza, o meio-ambiente, o desenvolvimento sustentável, a ciência e cultura, as crianças, combater o aquecimento global, a poluição sonora (sabiam que não existe uma ONG sequer dedicada a isso??) ou tantas outras iniciativas, maiores ou menores, mais globais ou mais locais, que seriam praticamente inviáveis se não fosse a comunicação rápida, barata e independente que a Internet oferece?

Pretendo passar nas próximas semanas por algumas das iniciativas que me interessam em particular. Começamos hoje por uma bem singela.

Quantas vezes neste ano que passa você se sentou para olhar o céu noturno? Mesmo quem tem a vida noturna agitada, gasta suas horas dentro de shoppings, carros, boates, restaurantes... nunca tem o ceú como teto e objeto de contemplação.

Lembro de, alguns meses atrás, ter acordado de madrugada e ido à cozinha beber água. Olhando para área de serviço vi um clarão azulado. Corri até a janela para ver o que era e, para minha surpresa, era "apenas" a Lua cheia de uma noite quente, jorrando luminosidade sobre os tetos e ruas da Tijuca. (Alguém assistiu ao Feitiço da Lua [Moonstruck, 87]? Pois bem, era aquela Lua do Cosmo, me despertando à noite). Acordei minha esposa pra ver também, ela ficou meio enjuriada no início mas entendeu perfeitamente quando deu de cara com aquela cascata azulada brotando do céu.

O problema é que nas cidades, mesmo a maioria não tendo percebido, nosso céu noturno está desaparecendo. As estrelas, planetas, a própria Lua. Graças à "poluição luminosa" gerada pelos hábitos modernos e pela violência, as cidades cada vez mais avançam sua iluminação. Ruas, praças, praias, aeroportos. Por economia, grandes prédios são mantidos acesos por toda a noite, inclusive nos fins de semana. Inventaram até aqueles holofotes ridículos, apontados pras nuvens, que qualquer baile funk tem.

Obviamente, um dia (ou uma noite!) vamos sentir falta de ver as estrelas. Elas nos inspiraram a todos, de poetas a cientistas. Foi olhando para o céu que surgiram as religiões. Graças à observação dos astros, a navegação foi possível. Olhando para fora da Terra, descobrimos que toda nossa beleza e complexidade é apenas um grão de areia no céu infinito. Nos tornamos melhores, com certeza, ao descobrir que não somos o centro do Universo -- afinal, era muita responsabilidade (e que esperança teria o universo?).

E é na esperança de conciliar o desenvolvimento urbano com a manutenção da beleza do céu escuro que surgiu a organização International Dark-Sky Association. Se você procura uma causa pra abraçar, ou simplesmente é um romântico apreciador das estrelas, não deixe de se manter informado.

Keep watching the skies...



Comédia em Pé

Apresentação do Henrique da semana passada, com legendas, disponível em:
http://video.google.com/videoplay?docid=8850793527841613888

2 comentários:

Anônimo disse...

Grande, faltou dizer que quando fizerem aqueles lasers pra desenhar o logo da Coca-Cola na Lua, talvez seja do nosso interesse não enxergar nada acima das nuvens.

PsYsApIeNs³ disse...

possas crer...
o sol o céu e o mar... oque eu quero mais.