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Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo |  Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes

quinta-feira, 6 de outubro de 2005



A nova guerra dos sexos

Chato de ir ao médico é esperar mais de 1 hora por uma consulta de no máximo 20 minutos. Vai entender. Eles marcam a consulta de 15 em 15 minutos. Às vezes de 10 em 10. Como se nunca fossem ao banheiro ao longo do dia. E como nunca atendem nesse tempo, quem marca pro fim do dia sofre com atrasos enormes.

Mas o pior da espera é assistir a novela das 6. Antes era Kubalançando. O que era aquele cara-sem-camisa interpretando 4 papéis? Agora é Alma Gêma. O que é o sotaque do Edu Moscovita e daquela índia italiana?

Molhação ainda dá pra aturar. São duas dúzias de adolescentes começando sua carreira artística, e trocando beijos de língua 3 vezes por quadro. Os diálogos se resumem basicamente a planos satânicos para retirar a azeitona de todas as empadas da cantina, ou para explicar porque novamente a cantora vai ter que faltar 2 meses de aula, em turnê com o namorado.

Chega a beirar o saudável. Exceto é claro, se o expectador é um adolescente gordinho, ou sem namorada. Aí é um problema que sobra pro psicólogo.

Falta ainda uns casais homossexuais, desses de televisão que são perfeitos: não brigam, não traem, não se desentendem, tudo é felicidade exceto a caretice de quem os cerca.

Isso não falta à novela das 8 (aquela que começa às 9h): tem tudo. Homem, menino, mulher, católico, espírita, americano, brasileiro, mexicano, paraguaio, político, policial, bandido, tarado, clepto, papa-anjo, homossexual, bi, tri, boi, vaca, piranha, jacaré, cobra, salsa, pagode, sertanejo, samba, tem até fantasma. Só falta ET. Os ufólogos estão possessos !!!

Assistir televisão sempre me faz sentir careta. Eu acho a homossexualidade normal, não tenho nenhum preconceito sobre o que dois adultos saudáveis fazem entre 4 paredes. Só que isso já virou ser careta.

A guerra dos sexos deste século deixa qualquer um louco. São os gays contra os bis, as drags contra os trans, os heteros contra os homos, os carecas contra os pittys, os mix contra os fashion, os metro contra os retro... não há local seguro contra os atos terroristas das inúmeras sub-facções armadas.

Como os outros homens, nunca tive problemas, por exemplo, em minha mulher ter amigos gays - isso nunca foi ameaça. Até chegar o século XXI:

Festa da empresa. Todo mundo muito jovem, moderno. Uma das gatas do escritório tá lá, solta na pista, se acabando de dançar. E os guerreiros mirando o alvo, trocando planos e definindo quem poderia atacar e quando.

Quando novamente se olha pra pista, a menina tá lá se acabando, mas dessa vez se esfregando com um viadinho do marketing. "Ah, é só dança, gente, o cara é boiola". Duas músicas depois os dois estão rolando na parede, aos beijos de língua e mãos nas bundas...

- Ué, mas Cycranno (chique ele) não é viado?

- É, ué. E daí, viado não pode pegar mulher?

As mulheres também não podem mais estar seguras, existem exemplos assustadores:

A mulher namora com o cara, sarado, bonito, barba sempre impecável, gentil, compreensivo, inteligente, amante das artes, carinhoso. Sabe tudo de vinho, cozinha, faz as unhas. Sabe dançar muito bem. Aliás, freqüenta festas rave. "Meu namorado é metrosexual" - diz ela.

Alguns dias depois sua amiga resolve fazer uma festa louca numa boate gay. "Não tem homem puxando seu cabelo, todo mundo é muito divertido, é uma maravilha, vamos lá". Então tá. Advinha quem estava lá, na meio da pista, sem camisa? "Menina, metrosexual demais seu namorado...".

Será que eu devia ser moderno? Eu sentia que podia estar perdendo o bonde da modernidade... Talvez eu devesse tentar. Pra ser moderno hoje em dia, no mínimo, no mínimo, você tem que praticar uma troca de casais, um swing, de quando em vez. Mas lembre-se que isso tem conseqüências...

Fulano costumava ir a casas de swing, levando sempre uma acompanhante "profissional". E uma vez lá dentro se deleitava com as acompanhantes dos outros. Fossem amigas, prostitutas, namoradas, esposas, etc, o que importava era fuder com algo que fosse de outra pessoa. Ah, sim, ele era advogado.

O fato é que aquilo ultimamente era a única coisa que o deixava excitado (ameaçar processar pessoas inocentes no trânsito e pequenos comerciantes já não gerava aquela sensação de poder), ao ponto de comparecer religiosamente toda semana.

Até a última vez... No escurinho do salão, começou uns amassos com a mulher que estava de costas. O encaixe era perfeito, o corpo era maravilhoso, quis conferir o beijo, virou lhe a cabeça e... "Fullannah???" (sim, Fullannah era muito chique). "Fulano???".

Encontrar a esposa na Só Suíngue de Jacarepaguá pode ser traumatizante para qualquer um.

Bom, então pra ser moderno eu poderia fazer sexo grupal. Mas o mais perto que cheguei de uma suruba foi um metrô lotado. Tinha um daqueles casais que não se desgrudam um segundo do meu lado, a mulher era bem bonita até, alta, cabelos escuros, e estava completamente pressionada contra mim. Eu estava um pouco tímido, não soube como agir, se abraçava ela por trás, enquanto beijava suavemente sua nuca, ou se agarrava seus cabelos e a puxava para um beijo de língua. O fato é que no instante seguinte, antes que pudesse decidir, fui jogado para a plataforma da estação Central, e não encontrava minhas chaves.

Quem não gostou dessa idéia foi a patroa. Careta. Então estava decidido: eu ia partir pra suruba solo. Peguei minha lata de Guaraná Kwat e fui pro bar mais legal da Gávea. Passou 1 hora e nenhuma mulher me agarrou. 2 horas e nada. Nem mesmo a garçonete. Pensei: tem algo errado, no comercial é imediato ! Mandei e-mail pro SAC mas nunca tive resposta.

Po, quem poderia dizer que é tão difícil ser sexualmente moderno? Com Internet por aí, orkut, os adolescentes se comendo mutuamente após as aulas (e até durante), por que eu não conseguiria? Se bem que internet é perigoso, quem não soube da história do GarotaoCarioca19 que marcou encontro no shopping com a CoroaQuente40, e terminou esbarrando com sua avó, com uma rosa entre os dentes (40 era o ano de nascimento, não a idade)...

Três ou quatro tentativas frustradas depois, desisti e resolvi pedir ajuda pra escrever a coluna. Afinal, a idéia de escrever sobre um macho do século passado querendo se tornar sexualmente moderno sem ter que encostar em outro homem se mostrou vazia.

Aparentemente, a pressão em escrever sobre esse assunto, as tensões do dia a dia, a má situação financeira e o excesso de álcool no sangue fizeram este modesto escritor ter ... Bem... Dificuldades em escrever. Porra, isso nunca me aconteceu antes...

A mesma dificuldade de chegar ao século XXI da revolução sexual. Acho que finalmente me tornei uma minoria. O bonde da era de Aquário passou, e eu fiquei.

É o dilema do homem moderno. Se engorda, é descuidado. Se chega aos 35 sem uma barriguinha de chope já recebe uns olhares de suspeita. Eu sempre disse pra minha esposa que mais vale um gordinho macho que um sarado boiola.

Por enquanto permaneço no século XX, talvez até volte ao XIX.


Diálogo Carioca:

Dois cidadãos pacatos conversam:

- Po, essa cidade tá violenta demais, soube que atropelaram meu irmão ontem? Atravessando o sinal na faixa de pedestres... Não era nem 11 da noite !

- Ué, eu soube que foi você quem atropelou ele...

- Sim, foi. É que eu não sou maluco de parar em sinal depois das 22 h.... Tá violenta demais essa cidade.

3 comentários:

Melanie Alamo disse...
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Lois disse...
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Anônimo disse...

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