No Domingo do segundo turno, voltando da casa do meu pai, num acesso à Linha Amarela, escapei por pouco de um assalto.
Um carro na minha frente estava meio lento, na esquerda, eu achei meio estranho e reduzi. De repente ele vira e fecha a rua, abre as portas e os caras vão saindo com os fuzis na mão. Eu virei e acelerei, cortando pela esquerda. Um deles chegou a atirar meio atrapalhado e errou (provavelmente atirou no chão).
Tive impressão de ver o carro deles pelo retrovisor, me seguindo. Fugi a toda desviando dos outros, alheios à minha situação. No acesso à Perimetral senti que um pneu estava furado mas não parei... Descendo pra pegar a Francisco Bicalho o carro quase derrapou, então resolvi parar (antes que sofresse um acidente).
O pneu estava todo acabado e a roda cheia de dente. Procurei mas não vi buraco de bala.
Tudo em que conseguia pensar era o que poderia ter acontecido se minha esposa e meu filho estivessem no carro. Teria tido a mesma reação? A mesma sorte?
Estive perto de levar um tiro, e não era bala perdida. A bala era pra mim. E ainda ia ser o culpado, por tentar fugir.
É como dizem, os incomodados que se mudem.
Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Domingo no Rio
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Capitão Brasil
E tantos anos depois de Macunaíma e João Grilo, o Brasil tem um novo herói nacional. Capitão Nascimento mostra aquilo que o mundo já sabe: não se faz uma omelete sem quebrar ovos. Não se faz um bolo sem quebrar ovos. Aliás, antes de mais nada é sempre bom quebrar uns ovos.
Se para combater a recessão nos EUA surgiu o Super-homem, pra chutar o traseiro do Hitler e saudar os Marines surgiu o Pato Donalds, e pra dar voz aos liberais e cutucar os Republicanos surgiram Os Simpsons, nosso Capitão surge pra finalmente homenagear os policiais cariocas, que diariamente colocam o peito na linha de tiro pra defender a segurança de nosso estado, além é claro de liberar a gente daquela multa mediante a cervejinha.
Contradições à parte, há muito tal Corporação merecia algo mais que um tapinha nas costas. Quando um traficante morre ou é preso ele fica famoso, vira até mártir pros funkeiros, pra OAB e pros Direitos dos Humanos. Quando um policial morre ele é nota de pé de página. E pra galera do status-quo, não fez mais que seu dever de garantir a segurança para que os advogados e juízes possam viver suas vidas tranquilos - e longe de tiroteio.
Nessa terra de muitos contrastes e pouco brilho, tem marginal querendo ser preso só pra realizar o sonho de andar de avião sem enfrentar fila de guichê. E tem classe média consumindo drogas pra aliviar a pressão: "Ah, nada a ver, as drogas sempre existiram". Ué, e quando a violência foi inventada??
É uma coisa que eu sempre digo: enquanto for difícil diferenciar castigo de recompensa, vai ser difícil escolher entre boas e más ações.








