Nas últimas semanas recebi milhares de e-mails, ligações e até -- acreditem -- cartas, daquelas enviadas via Correios. Muitos queriam saber por onde andava, o que estava acontecendo. Mas a maioria só queria mesmo dinheiro emprestado, ou me emprestar dinheiro a juros módicos!
Respondendo a dúvida do primeiro grupo, tive que me ausentar em prol de um projeto muito importante, que exigiu toda minha dedicação e talento. Infelizmente à conclusão dos fatos, saio sem glórias, com a viola no saco, a experiência adquirida, as histórias pra contar, e uma pequena fortuna em material de escritório roubado.
Fui encarregado este ano da defesa do (ex-)planeta Plutão. Fui líder de uma equipe que reunia várias pessoas e muitos advogados. Fizemos um bom trabalho, contamos boas piadas, criamos um excelente material; porém, venceu o lado mais forte, que contava com a mídia -- que há muito queria alguma novidade na seção de Astronomia e Astrologia (sim, são uma editoria só) -- e o poder econômico -- que leva assim os processos de downsizing e reengenharia, tão fora de moda no noso século, para novas fronteiras, onde o homem jamais esteve.
Embora estivesse confiante na vitória, não posso dizer que foi uma perda total. A companheira de Plutão, Caronte, foi reconhecida como legítima e agora tem direito ao plano de saúde. Meu cliente já foi sondado para ter sua história narrada em vários filmes e livros, participar de vários programas de auditório e dar palestras a empresários milionários.
Só que a falta de visão de quem sobe os degraus da escada gerencial do mundo corporativo é tão inexorável quanto a gravitação universal. Às vezes eu imagino que uma nebulosa vai se tornando mais densa no trajeto à gerência. Assim, após a representação deste grande caso, fui transferido para o setor de contabilidade de caixa 2 para candidatos a deputado federal, conhecido como a carne de pescoço das atuariais.
Assim, estou num imenso dilema ético, face a um abismo profissional: comunico à alta gerência da corporação a minha discordância quanto a alocação, enquanto procuro por novas encheções-de-saco e problemas (quer dizer, novas oportunidades e desafios); ou, se procuro por novas encheções-de-saco e problemas enquanto comunico à alta gerência da corporação a minha discordância quanto a alocação.
Jerry (como foi batizado o rato aqui do escritório) tem me aconselhado muito. Ele acredita que a ética profissional não é uma coisa universal. Um dos autores do clássico Quem Mexeu no Meu Queijo, ele afirma que cada civilização tem suas próprias crenças e axiomas, geralmente derrubados pela geração seguinte. Por exemplo, um escravo da construção das pirâmides acharia engraçado se alguém insinuasse que um dia seria obrigatório por lei, pausa para almoço, banheiro, água e café no ambiente de trabalho. Da mesma forma que eu acharia engraçado se o técnico virasse para o ponta-esquerda instantes antes do apito inicial e dissesse que, após profunda meditação tântrica, acha melhor ele jogar no gol.
Indignações à parte, Jerry insiste que, num processo relacional como o emprego, face aos limites da dialética entre o trabalho e a gerência (isto é, entre o esforço e o esporro), vale a regra de ouro: os incomodados que se mudem.
Era o empurrão que eu precisava.
Fiquei sabendo de uma vaga e enviei meu currículo para o grande amigo Caixa D'Ágüa, conhecido como "Caxágua". Grande homem, grande brasileiro. Me faltam adjetivos. Ele veio a falecer no dia seguinte, pouco antes de anunciarem a contratação do Dunga, que já botou 4 dos 6 anões pra dentro (no mau sentido), quebrando outra regra de ouro: funcionário indica 1, gerente indica 2 e diretor indica 3 no máximo.
Confesso que a notícia me deixou muito triste (a do Dunga, não a do Caxágua). Estava animado com a possibilidade de ser mais um técnico de seleção brasileira que não sabe nada de futebol.
Foi então que surgiu, no meio da minha pilha de correspondência não lida (leitores, um dia eu ponho em dia!) uma carta em japonês com a firma de uma empresa muito conhecida. Não precisei de tradução para reconhecer o gordo cheque e a passagem de ida e volta para Tóquio, anexados à carta. Mas também não é essa a oportunidade que eu procuro... Mil perdões, meu amigo Kutaragi, mas porta-voz do projeto Playstation 3, a essas alturas?!?! Meu japonês não dá pro gasto. Mas até o PS4 eu chego lá!
Outras possibilidades apareceram, seja por carta, e-mail ou nos Classificados. Mas todas caíam num outro problema clássico: eu teria muito a contribuir. Não se enganem, leitores, nunca aceitem um desafio ao qual você tem muito a agregar. Lembre do caso daquele funcionário que foi demitido logo após a contratação na fábrica de automóveis que inventou o limpador de pára-brisas, por insistir que estes deveriam ser posicionados do lado de fora. Terceira regra de ouro do dia: em terra de cego, quem tem um olho tá errado (ou vale metade, como interpreta minha ex-tia).
O desespero bateu. Confesso que já vejo os balanços desbalanceados e as duplicatas duplicadas se acumulando na minha mesa, aguardando o carimbo, a rubrica, a xerox autenticada das 5 vias... Não, não vou desistir!
O importante é que conseguí priorizar minhas pendências e abastecer meus 4 leitores com notícias do front. Rumo agora para os Estados Unidos, negociar a creche da filha de Tom Cruise e Katie Holmes. O lance inicial é US$10 mil...
Até a coluna que vem, com a Retrospectiva 2006!
Eleições 2006 - participe... mas não seja cúmplice!
Face a vários e-mails que circulam, vale esclarecer que de acordo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, não existe (infelizmente) qualquer possibilidade de uma eleição ser anulada pelo número excessivo de votos brancos ou nulos que, para fins eleitorais, são iguais e medidos apenas para estatística. Assim, uma eleição só seria anulada se todos os votos fossem brancos ou nulos (ou seja, se nem os próprios candidados votassem neles mesmos). Não vou colocar o link aqui, mas existe um bom site no Terra a respeito deste assunto.
Contribuindo ainda mais para a grade festa da Democracia brasileira, está disponível abaixo um simulador de urna eletrônica, para que você não tenha dúvidas na cabine e possa ir mais cedo à praia:
Para Deputado Federal voto para:
9901 - Um estuprador trabalhista
9902 - Um estuprador democrata-cristão
9903 - Um estuprador social-democrata
9904 - Um estuprador ecologista
Branco-Todos os anteriores
Digite o número do seu candidato e puxe a cordinha para enviar seu voto!
Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes
sexta-feira, 8 de setembro de 2006
Ligaram o foda-se
sexta-feira, 12 de maio de 2006
Haja paciência!
Chego em casa, pego a correspondência e puxo assunto com o porteiro:
- E aí, Zé, terminaram de demolir o prédio?
- Como assim?
- Acordei hoje 8 e meia e o prédio parecia estar sendo demolido comigo dentro. Corri logo pro corredor.
- É, tá em obra a coluna 1, no sexto e no quinto.
- É, mais uma. Essas obras não acabam nunca?
- Ah, tá acabando já...
Pego o elevador, que esqueceu e pulou o meu andar, indo até o décimo-sétimo. Desço traqüilamente, sem revolta. O papel de parede dos corredores está todo arrancado e rabiscado pelas crianças do prédio. O pessoal do andar desistiu de reclamar ou pagar pela manutenção (que o condomínio não se responsabiliza).
Prendo a respiração. A inhaca no corredor está demais. Meu vizinho cria 4 cachorros: um labrador, um pastor alemão, um poodle e um morto, que fede 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quando aquela porta abre é um Deus nos acuda. Não tem Bom-Ar ou desinfetante que dê jeito naquele corredor. Tô pra deixar umas máscaras de emergência penduradas. Ainda bem que não é vizinho de porta, ou janela, a outra vizinha reclama de carrapato na varanda dela, que nem cachorro tem...
Com uma pausa rápida pra respirar ar puro de dentro da Lixeira, entro em casa e bebo água, enquanto leio a correspondência. "De acordo com Assembléia e em virtude da alta conta da Cedae e da impossibilidade de acordo judicial para cobrança de atrasos de unidade, o condomíno está sendo reajustado para 400 reais".
Puta que pariu! O amigo leitor me desculpe. Mas PUTA QUE O PARIU! [Aliás, por que alguma pessoas tem a mania de falar "PUTA" alto e "que pariu" baixo? O palavrão é "puta", "que pariu" (versão curta) ou "que-o-pariu" (versão detalhada) não constituem palavrão em nenhum caso]
Voltando ao assunto, puta que o pariu! Vejo a prestação de contas do condomínio, pelo menos 3 unidades estão pagando multa (de 10 reais!) por atraso, pelo menos 5 unidades simplesmente não estão pagando multa nem atraso, e ainda há uma unidade isenta de condomínio (sabe lá Roberto Jefferson por quê).
Outro trecho me chama a atenção: "Abril/2006 - Obras em andamento: 11". Cacete! 11 obras em andamento num mesmo prédio! Haja vazamento, haja conserto e haja conta de água. Quanto mais consertam vazamento, mais a conta de água aumenta. O presidente da Cedae deve morar no meu prédio. 11 obras e um segredo.
Toca o interfone:
- É o Zé, é pra avisar que vai cortar a água dos dois banheiros em 10 minutos.
- Ué, mas por quanto tempo?
- Ih, até amanhã. De repente o fim de semana todo. Tá com um vazamento feio no 1o. andar...
- Mas são 18:30! Vou ficar sem banheiro até amanhã??
- Ah, se correr dá tempo ainda...
Abro a janela pra respirar um pouco. O cachorro chato da vizinha está latindo pra chuva. Ou pros carros, vai saber. O lance é latir o tempo todo. Uma vez eu cronometrei: foram 40 minutos de latido ininterruptos. Seria um recorde? Anotação mental: pesquisar sobre os cachorros mais chatos do mundo.
Um som de bateria entra junto do latido: crassh!, tum-tum!, crasssh!! Acho que vem daquela casa estranha da rua da frente, acho que tem um curso de música lá. Mas peraí!! Tô ouvindo som de bateria da rua de trás também! Era o que faltava, tem uma banda nova no bairro, ensaiando na rua que dá nos fundos do prédio. Quase não dá pra ouvir nada, exceto a bateria, que por sinal é bem limitada. O prato de 19" não deve ser novo, o cara chega a dar uma pausa antes de arrebentar a baqueta nele. É só o que se ouve da banda: crasssh!
O som das crianças no play não incomodaria tanto, se não fosse pela música que eles têm que ouvir nas alturas. Geralmente as mesmas cinco músicas, repetidas horas a fio. Pelo menos é desligado as 22:30, diferente de algum lugar misterioso de onde se ouve um som grave e irritante a madrugada inteira, geralmente nos fins de semana.
Acordar ao som de marteladas, dormir ao som de baterias, pagar 400 pratas por mês pra viver num prédio de caloteiros com um elevador caduco, um corredor fedorento e latidos intermináveis, e ainda por cima sem poder usar o banheiro.
E tem gente que reclama de bala perdida...
PS: Às bandas do bairro, toda a sorte do mundo! Que façam sucesso e se lancem, de preferência, em carreira internacional (bem longe de casa!).
Rio em cena
Acabou a greve de fome do Garotinho. O regime fez muito bem, pagou parte dos pecados, ficou bem melhor aparentado, mais saudável. A Rosinha é que tá desesperada agora, vai ter que perder uns 10 kg pra segurar o marido...
Projeto de Projeto de Lei
A Assembléia Legislativa vai ao programa do Faustão pra iniciar a pesquisa: Depois do vagão feminino, qual deve ser o próximo vagão especial nos trens e metrôs?
- Vagão GLS
- Vagão de quem canta, assovia ou ouve música alta
- Vagão de quem tá com mais pressa
- Vagão de quem não tomou banho
- Vagão sem bancos para idosos: afinal o que eles estão fazendo num trem na hora do rush??
Ajuda
Isso é sério. Quem trabalhar ou tiver contatos na Vivo ou Anatel por favor entrar em contato pelo email mamendes@bol.com.br. Minha esposa tem recebido contas (na faixa de 900 reais) de um celular que ela cancelou em 2001. Algum pilantra reativou a linha (no nome dela) e está fazendo ligações astronômicas... E a Vivo, que está 'investigando' há uns 4 meses ainda nem sequer bloqueou a linha !!!!
quinta-feira, 4 de maio de 2006
Hay que endurecer
Rio de Janeiro, Bar Luis, noite de quarta.
- Garçon, trás um conhaque.
Pego a caneta e o caderno e começo a fazer as anotações. Acendo o charuto, recosto na cadeira e visualizo a outra meia dúzia de clientes do bar.
Foi uma semana agitada, e eu não tive tempo de escrever. Garotinho fazendo greve de fome, a Bolívia tomando a Petrobrás, o caseiro pedindo uma aposentadoria milionária de indenização, deputados gastando Iraques de petróleo em cotas de gasolina, as obras do Pan que vão ficar prontas na semana de abertura do evento, o país adquirindo a auto-insuficiência e, finalmente, o Chico confessando que fuma e brocha.
Infelizmente todas as boas piadas já foram usadas. Só me resta lamentar os ocorridos. E talvez um plágio ou outro.
- Garçon, me vê aquela porção de milanesa e salada de batata.
Garotinho, esse grande gênio da política, religião e rádio-difusão, o grande mentor da grande Rosinha, essa futura Senadora, futuros santos-beatos já em processo de canonização. O aprendiz que roubou o apelido do mestre. Esse mesmo. Face à complexidade do mundo e a pouca fé da Humanidade, esse grande homem público, lembrando ídolos como Gandhi, resolveu de forma nobre entrar em greve de fome e doar as suas 3 refeições diárias aos famintos, enquanto não acabarem as guerras no mundo, a poluição do meio-ambiente e enquanto a TV brasileira não reprisar a série Chips.
Tão bombástico quanto o regime do Garotinho ou o cancelamento do show do Zeca na festa de comemoração da auto-suficiência em petróleo do país, foi a ocupação, uma semana depois, das instalações da Petrobrás pelas tropas de elite do presidente-índio-cocaleiro Erva Morales. Erva tomou a decisão após reunir-se com seu gabinete e tomar um cházinho para abrir as idéias. Em seguida, acionou 100 soldados (metade do contigente do país), munidos de tacapes, pedras e aquelas flautas de bambú -- armas típicas dos índios bolivianos. Cercaram as instalações brasileiras e ficaram tocando na porta até que alguém comprasse um CD -- ou cedesse o controle dos prédios.
Desde a ocupação vários especialistas surgiram explicando quando e como nosso país errou ao importar a matéria-prima do nosso vizinho gasoso. "Foi mexer com gás deu nisso". Outros afirmam que foi-se a época em que era fácil passar a perna em índio. "Não existem mais bobos no futebol, e nem no setor energético", afirma um técnico da área.
Mas os problemas não acabam por aí. O determinado Erva pretende, a médio prazo, acabar com todas as reservas de gás do país (acendendo um fósforo nas minas) e plantar coca em tudo o que sobrar. Os gasodutos seriam aproveitados e convertidos em cocadutos, distribuindo de forma rápida e barata a especiaria boliviana.
Diplomatas brasileiros trabalham num acordo que possa garantir resultados para ambos os lados. Alguns estudam a possibilidade de devolver o Acre à Bolívia, em troca das minas de gás. Outros países estão oferencedo acesso ao Pacífico, ao Atlântico e até ao Índico aos bolivianos. Movimento no Orkut exige a anexação do país vizinho, antes que a coisa piore. Pela política externa do nosso governo até agora, porém, o mais provável é exatamente o contrário...
Portanto vá caprichando no seu espanhol, compre o CD alí na São José, e acostume-se ao prazer de um bom chá direto dos Andes.
- Garçon, o café e a conta.
Polêmica
Trecho divulgado do Evangelho Segundo Judas:
"Vesti uma roupa bem quente e, debaixo do Sol escaldante, repeti tudo que ouvistes à exaustão. Espalhai-vos e gritai aos brados, em toda praça ou esquina, a assim chamada palavra do senhor. Gesticulai em excesso, enchei o saco dos transeuntes, xingai as outras religiões e mencionai o nome dos Santos e do Capeta em alto e bom som."
Cena carioca
No matagal que ocupa o espaço onde será o Velódromo do Pan, várias autoridades da Cidade, Estado, União e inclusive internacionais, acompanhadas de perto pela Imprensa, todos munidos de capacete, declararam-se satisfeitas com o andamento das obras (!).
A pergunta que não quer calar é: pra que servia o capacete? Não havia nenhuma estrutura de pé no local!
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Você chama isso de m.?!?!
Um amigo me pára na hora do almoço e pergunta: "Você sabe o que é m.? M. é quando o sistema dá pau por causa de alguém (viado e fdp) e você (corno) é o cara que tem que descobrir e contar pro cliente que nem sequer o backup pode ser restaurado".
Após o almoço, de volta ao escritório, ainda ria da cara dele quando os auditores chegaram e fizeram um sorteio pra ver quem seria o Cristo daquela semana: eu. "Você chama isso de m.?" - gritei pro meu amigo, que se dobrava de rir com o agora pequeno problema de backup.
Todo mundo já recebeu aquele e-mail com as frases que tipicamente antecedem à m., tipo, "Isso nunca deu errado antes", "Confie em mim", "Meu marido só volta à noite", "Faz se tú é homem", ou "Vou votar nesse porque ele rouba mas faz". Mas nunca ninguém fez um estudo aprofundado.
Resolvi me aprofundar no tema. Como a definição de m. tem evoluído ao longo da história? Uma m. nos anos 70 era pior ou melhor do que uma m. do século 21? Como será a m. do futuro? Tudo isso essa quinta no M. Repórter - reprise sábado no M. News e domingo no M. Espetacular.
Primeiro vamos a um pequeno glossário para colocarmos todos na mesma página:
M. - acontecimento que afeta uma ou mais pessoas de forma negativa.
Chefe - nunca é responsável pela m., embora cause várias por dia
Viado ou fdp - cidadão causador da m.
Corno - consertador de m. ou afetado por ela.
Hiena - aquele que gosta de m. e lucra com ela. Vide consultor, auditor, advogado.
Meia-vida - o tempo que a m. leva para perder metade do seu efeito.
A primeira m. da história da humanidade foi, sem dúvida, Adão comer a maçã da árvore do pecado. Sim, Adão, porque Eva com certeza só levou a culpa por que chegou por último no Paraíso.
Mas ainda antes disso algum dinossauro fez m. e acabou com toda uma era. Talvez ele também tenha comido algo que não devia.
Ao longo dos tempos, as m. vêm ganhando maiores proporções. Você pode se perguntar o que seria maior que destruir quase toda a vida na Terra, porém se os dinossauros não podiam raciocinar, também não podiam apreciar a m. do mundo acabando ao se redor.
A m. seguinte foi o rapto de Helena de Tróia, digo, para Tróia. Essa m. não só destruiu a cidade, como foi responsável por várias m. na seqüência, como a fundação de Roma, o filme horroroso estrelado pelo traseiro de Brad Pitt.
Roma, responsável por várias m., iria inventar a burocracia e o serviço civil, iria destruir a biblioteca de Alexandria, antes de ruir pelo peso de sua corrupção e eleger o Berluscollini.
Várias m. na idade média: Cruzadas, invenção do divórcio (e por conseqüência, da ex-mulher), a Inquisição e a caça às bruxas.
Na Idade Moderna, um assassinato de um príncipe qualquer causou uma grande m., digo, guerra, que causou outra, e que não melhorou em nada a m. fria. O homem vai para o Espaço, pisa na Lua e cria assim a m. espacial. O mundo se globaliza e as m. se intensificam. O Terrorismo e o Anti-terrorismo surgem e desde então é m. atrás de m.
No Brasil, a m. evolui ao longo do tempo em ordem exponencial:
M. na década de 70 - a Ditadura e a Censura, que proibiam o uso da expressão "m."
M. na década de 80 - o Brasil perder a Copa de 82
M. na década de 90 - Collor e o confisco e da poupança; FHC e a alta dos juros
M. no ano 2000 - As contas erradas das empresas de telefonia celular; Lula e o Mensalão; Seu filho menor de idade usar seu micro para crimes digitais;
Graças ao processo privatizatório das telecomunicações, grandes empresas surgem: Telemerda, Merdofônica, Brasil Merdacom. Vários novos serviços de m. surgem no país. TV a cabo, celular, conexão banda larga e tantos outros serviços caros e que raramente funcionam. Nos bastidores, vários "funcionários" sem vínculo empregatício e recém saídos da faculdade processam as faturas e as cobranças destas empresas, de domingo a domingo, horas e horas a fio, num processo que mais faz lembrar a indústria de tear inglesa ou as usinas de carvão russas do início do século (passado).
O Marketing também evolui, de foco no produto para foco no cliente e, mais recentemente, de foco no cliente para foco na m. O Call Center evolui e você agora recebe ligações no domingo à noite oferecendo outro cartão de crédito de m.
Nos escritórios as m. estão de vento em popa. Chefes de m., funcionários de m., produtos de m., consultores de m., todos juntos oferecendo a seus clientes o supra-sumo e o estado da arte da m. Estagiário então é igual ao Edmundo: tá esperando pra fazer m! Na área de informática, m. é uma filosofia de vida, onde um software de m. vale milhões, muda uma empresa inteira, mesmo sendo uma m. e sem nunca cumprir o que promete.
Mas a vida segue, o ano de 2006 nem chegou à metade, e só nos resta torcer por m. melhores e observar de perto a programação de m. das TVs abertas. Ah, e claro, fazer nossas apostas no Romário ou no Pelé para ver quem chega primeiro ao milésimo filho ou à milésima m...
O Evangelho segundo Suzzane
Não só a mídia, a sociedade, os formadores de opinião, os profissionais liberais, os políticos e os criminosos, mas também o povo brasileiro ficou impressionado com a entrevista do Mário, advogado de Suzzane Rich, interpretada pela própria, ao Fantáástico. Apesar do choro sem lágrimas e o balbuciar repetitivo e inaudível, a patricida garantiu sua vaga na novela juvenil Malhação 2007 - que mudará seu cenário para o presídio feminino do Carandirú.
O advogado porém, ficou indignado com a falta de respeito à sua privacidade com sua cliente gostosinha. "Chora, neném, chora! Isso berra! Faz careta agora!" - Frase dita pelo advogado ao pé do ouvido de sua cliente, porém cortada da edição da entrevista. Que injustiça!
Mário teria arranjado a entrevista para mostrar o dia-a-dia de Suzzane, seus hábitos, seus livros e discos, os passarinhos que cria, e outras atividades que pratica enquanto não está fazendo sexo grupal com bandidos ou matando os pais.
A Globo disse que ao perceber a farsa não lhe restou alternativa a não ser denunciá-la. Foi uma questão de ética jornalística. Resta então saber qual é a alternativa ética para até hoje não se mostrar os bastidores da ligação entre o futebol carioca e o tráfico...








