Vocês já devem ter percebido que há por aí uma grande campanha sendo montada, tendo como objetivo acabar com a Internet como conhecemos. Tal campanha é patrocinada especialmente por aqueles que não aprenderam ainda como lucrar e expandir seus monopólios para o cyber-território democrático que conseguimos defender até hoje.
Esses dias Elton John afirmou que a Internet é prejudicial a ele, ou melhor, à Música, e sugeriu o fechamento da mesma por cinco anos. Mas não foi nada de mais, seu geriatra já receitou nova medicação.
O que ninguém sabia, e eu revelo agora em primeira mão, é que foi detectado nos servidores da Cia que a declaração de Elton John pode (deve) ter relação com uma campanha da AGMC (Associação das Gravadoras Musicais Caducas) de utilizar artistas atuais (Elton John, Bob Dylan, Nat Cole, Bruce Springsteen, Michael Jackson) para minar a opinião pública sobre a Internet. O próximo alvo: a máquina de xerox.
Afinal de contas, a humanidade era muito mais feliz quando não se podia saber o que acontece do outro lado do mundo em instantes. Quando não se tinha webcams para conversar com pessoas ou simplesmente ver as ruas de Times Square, ou o pôr-do-sol em Tóquio.
Como era bom escrever uma carta e esperar 2 meses pela resposta daquele familiar em outro continente. Esperar chegar em casa para saber as notícias do dia. Ter que procurar jornal para saber a previsão do tempo.
Quer infelicidade que sentimos, não só de saber, mas de "sentir" que a Terra é redonda, e ver fotos via satélite de Foz do Iguaçú, os vulcões do Chile e os cassinos de Las Vegas...
Como é triste popularizar os blogs e a linguagem escrita. Unir pessoas que não se viam há tanto tempo. Compartilhar interesses. Assistir um vídeo do último congresso mundial de fãs de Star Wars.
Não me surpreenderia se um grupo desses resolvesse lutar contra a Lei da Gravidade, tão maléfica e responsável por tantas quedas mundo afora (que adiantaria alguém tentar explicar que sem a gravidade seríamos arremessados ao Espaço)...
Sinceramente, se essas pessoas querem abraçar uma causa, eu tenho várias sugestões.
Passando rapidamente pelas mais simples, que tal defender a natureza, o meio-ambiente, o desenvolvimento sustentável, a ciência e cultura, as crianças, combater o aquecimento global, a poluição sonora (sabiam que não existe uma ONG sequer dedicada a isso??) ou tantas outras iniciativas, maiores ou menores, mais globais ou mais locais, que seriam praticamente inviáveis se não fosse a comunicação rápida, barata e independente que a Internet oferece?
Pretendo passar nas próximas semanas por algumas das iniciativas que me interessam em particular. Começamos hoje por uma bem singela.
Quantas vezes neste ano que passa você se sentou para olhar o céu noturno? Mesmo quem tem a vida noturna agitada, gasta suas horas dentro de shoppings, carros, boates, restaurantes... nunca tem o ceú como teto e objeto de contemplação.
Lembro de, alguns meses atrás, ter acordado de madrugada e ido à cozinha beber água. Olhando para área de serviço vi um clarão azulado. Corri até a janela para ver o que era e, para minha surpresa, era "apenas" a Lua cheia de uma noite quente, jorrando luminosidade sobre os tetos e ruas da Tijuca. (Alguém assistiu ao Feitiço da Lua [Moonstruck, 87]? Pois bem, era aquela Lua do Cosmo, me despertando à noite). Acordei minha esposa pra ver também, ela ficou meio enjuriada no início mas entendeu perfeitamente quando deu de cara com aquela cascata azulada brotando do céu.
O problema é que nas cidades, mesmo a maioria não tendo percebido, nosso céu noturno está desaparecendo. As estrelas, planetas, a própria Lua. Graças à "poluição luminosa" gerada pelos hábitos modernos e pela violência, as cidades cada vez mais avançam sua iluminação. Ruas, praças, praias, aeroportos. Por economia, grandes prédios são mantidos acesos por toda a noite, inclusive nos fins de semana. Inventaram até aqueles holofotes ridículos, apontados pras nuvens, que qualquer baile funk tem.
Obviamente, um dia (ou uma noite!) vamos sentir falta de ver as estrelas. Elas nos inspiraram a todos, de poetas a cientistas. Foi olhando para o céu que surgiram as religiões. Graças à observação dos astros, a navegação foi possível. Olhando para fora da Terra, descobrimos que toda nossa beleza e complexidade é apenas um grão de areia no céu infinito. Nos tornamos melhores, com certeza, ao descobrir que não somos o centro do Universo -- afinal, era muita responsabilidade (e que esperança teria o universo?).
E é na esperança de conciliar o desenvolvimento urbano com a manutenção da beleza do céu escuro que surgiu a organização International Dark-Sky Association. Se você procura uma causa pra abraçar, ou simplesmente é um romântico apreciador das estrelas, não deixe de se manter informado.
Keep watching the skies...
Comédia em Pé
Apresentação do Henrique da semana passada, com legendas, disponível em:
http://video.google.com/videoplay?docid=8850793527841613888
Humor, crítica, crônica, comédia e sátira sobre o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo | Defendendo o humor inteligente do Capitalismo e do Aquecimento Global, antes que se torne brinde de pasta de dentes
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Mantenha o céu escuro
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Os sem mais
Esses dias no metrô, um estudante na faixa dos 16 anos, levantou para um senhor sentar. Antes que alguém pudesse elogiar ou aplaudir o gesto, seus colegas ensaiaram uma zoação, do tipo, "perdeu o lugar, mané". Ele prontamente se defendeu:
Levantei porque quis. Outro dia um senhor reclamou pra eu dar o lugar. Ele ficou reclamando e eu fiquei pensando "é, legal, fica aí em pé mermo, é...". O assento é preferencial, eu levanto se eu quiser.
Rapaz, várias coisas vieram à cabeça ao mesmo tempo, demorei a separá-las:
- um estudante de ginásio, saudável e dedicado exclusivamente aos estudos não consegue interpretar uma regra escrita simples,
- um adolescente sociável não acha que tem obrigação de respeitar e ser gentil com os demais, idosos ou não (e ainda acha normal que as regras não o obriguem a isso),
- um jovem racional, usuário de transporte público, acha que os assentos preferenciais são para ser cedidos somente se a pessoa optar por isso (e nos demais? o ocupante é terminantemente proibido de levantar seja para quem for??).
Imagina que tipo de cidadãos estamos formando. Se juízes e políticos já têm dificuldade em interpretar as leis, imagine o caos que uma distribuição gratuita da Constituição brasileira a todos os cidadãos pode causar, graças às mais esdrúxulas interpretações possíveis.
Lembrei de uma reportagem com uma mulher que colava anúncios em orelhões e respondeu, quando interpelada pela repórter:
Ué, a rua não é pública? Posso colar o que eu quiser aqui...
De onde está surgindo todo esse utilitarismo e esse individualismo? Quando foi que de repente nós tornamos, cada um de nós, as pessoas mais importantes do mundo? Se eu não conheço, não é importante. Se não serve pra mim, é inútil. Se posso usar, posso abusar e nem preciso agradecer!
Será que sempre fomos assim? Dentro de nós, no cerne de nossos desejos, sempre quisemos ser o alvo de todas as atenções e favores, donos de todos os recursos ao nosso redor? Ou será que algo tem nos guiado nessa direção? Talvez livros com títulos como "Você é a pessoa mais importante do mundo", ou programas de televisão onde quem passa todo mundo pra trás ganha o prêmio? Ou partidas esportivas com resultados manipulados em prol do mais forte?
Fui ao shopping no intuito de investigar essas possibilidades. As capas de revista, os filmes em cartaz, os anúncios de liqüidação, as estampas de camisa, talvez os materiais dos sapatos e bolsas da moda, os novos sabores de sorvete -- algo tinha que servir de base para qualquer afirmação. E no pior dos casos eu procuraria a Constituição na livraria para colar alguns trechos legais.
Mas passeando pela livraria tive uma boa surpresa em ver o novo As 100 melhores crônicas brasileiras. Comprei na hora e fui correndo pra casa, ansioso pra ler, e esqueci completamente do objetivo do post de hoje. Foi então que tive uma decepção: nenhuma das minhas crônicas havia sido selecionada !
Alguém poderia dizer que eu já devia esperar por isso, pois se esse fosse o caso eu haveria de ter sido contatado antes da publicação, a respeito dos direitos autorais. Mas, honestamente, tinha esperança que houvesse talvez uma homenagem secreta a minha pessoa ali pelas últimas páginas do livro...
Estranho também que, dado o elevado número de crônicas (cem) e a baixa idade de nosso país (arredondemos para 500 anos), conclui-se que a cada cinco anos surge no Brasil uma obra melhor que qualquer crônica minha.
É dureza ter que me conformar, mas faço isso aproveitando ótimos textos dos grandes nomes selecionados. Afinal, não há vergonha nenhuma em perder uma competição de crônicas para Machado de Assis, Rubem Braga, Veríssimo, Sabino ou Tutty Vasquez...
Nesse clima de conformismo, lanço o projeto de uma nova compilação. Após Os cem melhores poemas brasileiros do século(Objetiva, 2001), Os cem melhores contos brasileiros do século(Objetiva, 2001), do Blog de Papel(Gênese, 2005), e As cem melhores crônicas brasileiras(Objetiva, 2007), estou selecionando candidatos para Os 100 melhores posts e e-mails brasileiros !
A primeira coisa a fazer é conseguir algum do Governo pra financiar o projeto. Afinal, a iniciativa privada de nosso país não faz nada sem antes garantir um incentivo qualquer. E de mais a mais, se a gravação de um DVD de remix-ao-vivo (!) de O melhor de Vanessa da Mata (sic) merece quase um milhão em incentivos fiscais, será que meu livrinho não ganha uma esmola?
Na tentativa desesperada de atingir um público maior (como o adolescente e a moça dos primeiros parágrafos), vamos manter o livro sempre em bullets, com parágrafos pequenos, fontes grandes e ícones. O chamado formato Powerpoint, o único ainda aceito pêlo púbico, digo, pelo público jovem. Para conquistar o público norte-americano, cada texto deverá começar com o diálogo entre um suposto grupo de executivos e um monge de renome, num templo em algum lugar ermo, que soaria mais ou menos assim:
Monge: - Esse próximo e-mail ensinou muita gente a aceitar a vida e ser feliz com o que se tem.
Executivo 1: - Ah, eu lembro que um amigo comentou sobre esse e-mail, e disse ter mudado sua vida
Executivo 2: - É verdade, minha irmã leu esse e-mail e passou a ser mais feliz
Executiva: - Que ótimo, vamos ler tal e-mail e ser felizes também.
Por último, precisamos de exatamente cem posts/e-mails, para não comprometer o título. Afinal, quem compraria um livro cujo título não reflete seu conteúdo? Provavelmente daria em processo do Procon, ou Inmetro. E não adianta mudar o título, pois qual o apelo de venda de um título com números quebrados, tipo Os 73 melhores ? Pior ainda os números ímpares, primos... vai ter gente queimando um livro desses! Finalmente, quem compraria um livro com os 50 melhores, se do lado há um com os 100 melhores e pelo mesmo preço?
Infelizmente, apesar da blogosfera brazuca ter ganho muito em maturidade e personalidade ultimamente, a maioria dos blogs brasileiros (inclusive alguns dos grandes) ainda se resumem a clipping de notícias. Nenhum post deste tipo entrará nesta lista de 100 melhores, mas do resto vale tudo. O fato é que essa pode ser uma grande oportunidade para muitos.
Bom, vamos aos candidatos:
1° - aquele e-mail sobre o cara assaltado e estuprado por duas mulheres maravilhosas nos últimos 4 dias da semana, perguntando se alguém sabe por onde elas andam.
2° - e-mail que cita a pessoa que, após uma noite de bebedeira, acorda numa banheira de gelo com um bilhete avisando que teve seu órgão retirado por uma quadrilha internacional de venda de ânus zerados.
3° - Wellington Grey . net - post: A Tabela Periódica da Internet (Periodic Table Of the Internet). (como assim não pode participar porque não é brasileiro?)
4° - Dahmer / Malvados - post: Grande Mapa Dahmer da Blogosfera Brasileira
5° - bic azul / Absurdos & Abstratos - post: O Atraso
6° - Kemp / Lactobacilo Morto - post: (diversos sem título)
7° - biz azul / Absurdos & Abstratos - post(s): No Metro I e II
8° - Ricky / blog0news - post: Semântica
9° - Dahmer / Malvados - post: ano 3 número 597
10° - Alexandre Inagaki / paralelos - post: Literatura na rede: a transição dos bytes para as bibliotecas
11° - Dahmer / Malvados - post: ano 2 número 493
12° - Alexandre Inagaki / pensar enlouquece, pense nisso - post: Bons Amigos
13° - e-mail com aquele Powerpoint das fotos do século (aquele do fogo com rosto de gente é maneiríssimo!)
14° ao 82° - (vagas dedicadas ao júri popular)
83° - Mamendex - post: O poder do pensamento positivo
84° - Mamendex - post: Faz um barulho aí
85° - Mamendex - post: Retrospectiva 2006
86° - Mamendex - post: Ligaram o foda-se
87° - Mamendex - post: Haja paciência!
88° - Mamendex - post: Hay que endurecer
89° - Mamendex - post: Você chama isso de m.?!?!
90° - Mamendex - post: E a gripe veio do espaço
91° - Mamendex - post: Responsum Quae Sera Tamen
92° - Mamendex - post: Tolerância ampla, geral e irrestrita
93° - Mamendex - post: O contador de ilusões
94° - Mamendex - post: A Teoria do Humor
95° - Mamendex - post: Paradoxalmente correto
96° - Mamendex - post: Vote, talvez
97° - Mamendex - post: A nova guerra dos sexos
98° - Mamendex - post: Ordem, Progresso y otras cositas más
99° - Mamendex - post: Um grande pequeno golpe
100° - Mamendex - post: Tem 1 real ?
Mandem seus candidatos. Vale votar em sí mesmo. Daqui a um mês ou dois posts (o que vier por último!) eu publico a lista dos vencedores. Desde já aceitamos reservas também para os interessados em comprar o fabuloso Os 100 melhores posts e e-mails brasileiros*.
* Pagamento adiantado e frete por conta do comprador. Para valores de frete entrar em contato. A reserva não garante o recebimento do produto. Entregas para o exterior sujeitas à tributação exclusiva.
Ah, e se você ficou interessado no As Cem Melhores Crônicas Brasileiras (Joaquim Ferreira dos Santos, Objetiva), basta procurar nas melhores livrarias, virtuais ou de tijolo. Ou aguardar até que alguém resolva anunciar por aqui...
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
O poder do pensamento positivo
Nesse momento em que passo por um período melancólico, como disse anteriormente, observo do alto a crise aérea que nosso país vem enfrentando e lembro com saudade da época que a pista de Congonhas era duas vezes maior, em São Paulo quase não chovia, e nenhum vôo atrasava.
Lembro também da época que só Galvão Bueno e o povo brasileiro -- mas não os políticos -- eram especialistas em qualquer assunto imaginável.
Falando em políticos, havia alguns com boa oratória, personalidade e sangue quente, que dava até gosto ouvir, mesmo que discordasse de sua opinião. Estes, ao contrário de pai-adolescente, sumiram após assumir.
A única coisa que não mudou nestas últimas décadas, é FHC dando pitacos de algum lugar longe do Brasil.
Habituado que sou a freqüentar a nata brasileira, e de participar de memoráveis saraus com as melhores personalidades e maiores intelectos de nossa nação, olho ao redor e me vejo sozinho. Será que foram todos embora? Ou finalmente me tornei o maior intelecto vivo em terra brasillis?
Na falta de coisa melhor, venho passando o tempo lendo os comentários nos sites de notícia. É interessante tentar enxergar o ponto de vista de determinadas pessoas. O primeiro ponto que chama a atenção está na editoria de Ciência. Toda vez que um estudo é divulgado, por exemplo, Sonda descobre sinais de vapor de água em lua de Saturno, os comentários se resumem a sugerir que o dinheiro gasto nestas pesquisas seja usado pra acabar com a fome no mundo, ou o quanto é ridículo procurar sinais de vida se a Bíblia diz claramente (!) que só existe vida na Terra. Imagino que essas pessoas são contra vacinas e microondas também, ou pensam que esse tipo de coisa dá em árvore, sei lá.
Olhando uma notícia na editoria correlata, Astrologia e Celebridades, vejo que Astrólogos prevêem que Sol em Áries favorece nova ida de Paris Hilton à prisão. Ora, alguém por favor sugira o que fazer então com o tempo e dinheiro do pessoal envolvido nesta notícia.
Na editoria de Livros de Auto-Ajuda Coletiva da Moda, vejo uma matéria de 15 páginas sobre o livro O Segredo, uma entrevista de 22 páginas com a autora do mesmo, e o link pra matérias de revista sobre Os Segredos de O Segredo. Lendo os dois primeiros parágrafos de um destes links descubro que o livro faz parte do Clube de Oprah e revela "dentre outras coisas" como o pensamento positivo pode atrair coisas positivas para sua vida.
Mentalizei desejando não perder tempo nem gastar 30 reais num livro vazio e sem sentido, e meu desejo se realizou na hora!
Lembrei da minha crítica a 'Damn' Brown, o autor (?) de O Código da Vinci, quando ele diz no prefácio que muitos dos rituais secretos que ele descreve são verídicos. Ora, se um ritual secreto é de conhecimento público, ele não deveria deixar de ser secreto? E qual o sentido de manter um ritual secreto, uma vez que ele não é mais segredo pra ninguém?
Estendo a pergunta a autora deste novo livro: compartilhar um segredo com 15 milhões de pessoas não o faz, no mínimo, menos secreto? "Venha ler o Segredo que todo mundo já sabe!". "Leia o livro antes que mude de nome". Imperdível.
O prezado leitor deve se perguntar porque eu critico tanto esta categoria de livros, Auto-Ajuda Coletiva, e aquela editoria de notícias, Astrologia das Celebridades. Antes de mais nada, são duas implicâncias completamente diferentes.
No primeiro caso, critico aqueles que procuram respostas, sem nem saber a pergunta. Essas pessoas que começam o filme perguntando: "ele morre no final?". Para estas pessoas, sugiro pensar a respeito do porquê se saber o sentido da vida antes do fim dela. Após descobrir o sentido da vida, faria sentido continuar vivo? Recomendo o ótimo Guia do Mochileiro das Galáxias para refletir a respeito do quão prejudicial pode ser saber a resposta antes de descobrir a pergunta.
No segundo caso, lamento pelas pessoas que se interessam mais em saber sobre os outros antes de saber sobre si mesmo. Todos nós precisamos compartilhar cultura, notícias, comportamento entre membros da família, sociedade e cada vez mais, toda a comunidade global. É saudável ter heróis e crenças. O que um escritor é, por exemplo, senão os livros que lê? Mas nunca se engane, você é bombardeado o tempo todo para tirar o foco de sua vida e colocá-lo na vida dos outros. Afinal de contas, cuidar de sua própria vida não dá dinheiro pra quem vive de coluna de fofocas...
Como por exemplo uma empresa convence alguém a comprar seus produtos? Exaltando suas qualidades? Ha! Não, não. É preciso alguém famoso pra criar o "canal" de comunicação com o consumidor final, o cidadão comum, ou, como o Bonner diz, o Homer Simpson, que assinará o cheque. E ter alguém famoso anunciando seus produtos custa caro, portanto é necessário fazer alguém ficar famoso, de forma prática e indolor, pra poder ser utilizado para aquela campanha publicitária (e descartado em seguida).
Agora você entende como o poder do pensamento positivo (PPP para os íntimos) pode influenciar a vida de muitos? Por exemplo, você deseja ser famosa pra ser igual aquela menina-que-esqueci-o-nome que vai casar com o ex-BBB. Você deseja e bang! consegue ingresso praquela festa. Uma mini-saia e duas doses de uísque depois e bang! você aparece na revista do lado daquele ator de Malhação. Uma reportagem insinuando algo e bang! você é a nova possível ex-namorada dele, que está com o coração em pedaços. Uma ponta na televisão, uma nova festa e quem sabe, bang!, você não está anunciando o DDD mais barato do Brasil? Mais PPP e mais bang e você é capa de revista (de fofoca), convidada em programa (de fofoca), o céu é o limite! Vai até escrever livro de Auto-Ajuda Coletiva, quem sabe...
É o Pan aí ó!
Se contar ninguém acredita, mas não é que o Pan do Rio foi um sucesso? A cerimônia de abertura foi um espetáculo, os locais de competição estavam bonitos, o trânsito tranqüilo, o Brasil trouxe ouro pra casa (quer dizer, manteve o ouro em casa)... Nem a inveja da tucanada conseguiu atrapalhar o evento.
A classe média carioca se vestiu de branco (sua roupa típica de protesto) e após tomar chopp no calçadão, pegou o ingresso de 250 reais e vaiou o presidente da República, mostrando até onde vai sua capacidade político-reacionária. O que ninguém soube explicar é: quem aplaudiu o Caesar Maia?? As fitas de segurança do estádio não deixam claro, pesquisadores atribuem o feito ao Fantasma do Maracanã, famoso na época do maqueiro Sombra.
Mas voltando a falar de esporte, os destaques da competição foram muitos: o Tiago do Judô - que tem pressa de ganhar, o Thiago da Natação - pra quem qualquer estilo é nado livre, a Fabiana do salto com vara - que mais um pouco bate recorde, e o Bernardinho do vôlei - o careca estourado, que cortou o titular e convocou o filho. O técnico perdeu finalmente sua blindagem (sem perder o apoio da TV), mas por uma boa causa: levantar o cachê da família...
Mais uma sacanagem do Pan das Surubas.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Faz um barulho aí
O tempo passou e atendendo a pedidos a coluna está de volta !
Fui orientado pelo meu gurú espiritual a afastar-me das tarefas "blogais" por conta de um furacão que se formava no sudoeste do meu mapa astral, perto da região que ele apelidou de "Triângulo das Bermudas", em homenagem a uma antiga confecção de moda surfe. Nessa tal região do mapa havia um desequilíbrio no continuum espaço-tempo, causado em parte pelo desaparecimento de Plutão, que fazia com que toda energia que ali passava se convertesse em matéria. Você pode imaginar o problema que é passar matéria por onde só deve passar energia? Dói muito!
Mandei meu mapa para o Stephen Hawking, pouco antes dele ir pro vôo de gravidade zero. Ele me retornou agradecendo pela contribuição à Física com esse fênomeno inverso aos Buracos Negros (ou afro-descendentes), chamado temporariamente e de forma não-criativa e sem alguma graça, de "Calombo Branco (ou euro-descendente)".
Pois bem, graças ao Calombo Branco minha vida chegou a uma encruzilhada. Logo em seguida, a encruzilhada tornou-se um abismo. Foi quando o chão começou a ceder, e tudo começou a girar em direção ao fundo, como a descarga de uma privada. Ainda estou passando pelos encanamentos em direção a sabe-se lá onde, mas cheguei num ponto em que já consigo enconstar e apreciar a viagem...
Mas chega de fatos e vamos às metáforas.
Ano novo, vida nova. Quando finalmente consegui o apartamento que tanto queria, perdi o emprego (que não queria muito mesmo). Foi nesse momento que fiquei sabendo que ia ser pai. Quanta felicidade eu senti. Embora também tenha me sentido um pouco ansioso, um pouco tenso, um pouco confuso, feliz novamente, alegre e ansioso mais um pouco, tive medo duas ou três vezes, e finalmente fiquei ansioso, tenso, feliz e medroso. Foi quando entrei em pânico. Depois me acalmei, e fiquei feliz novamente. E tenso e ansioso.
Fui correndo avisar a meus amigos. Descobri que muitos haviam subitamente se mudado. Resolvi pegar um filme na locadora, pra relaxar. A locadora havia mudado. Achei que fosse pirar.
Ou quase. Quanta melancolia, quanto apego ao passado. Acho que tenho vivido de forma leviana, contrária a minhas crenças. Ou não. Precisava pensar em como controlar meus pensamentos. Tive medo de perder o controle.
Mas então meu filho nasceu. E tudo ficou bem. Ou quase.
Já não me reconheço mais. Não sei mais quem eu sou. Não tenho mais nada ver com o que eu era 3 meses atrás; por não achar esse vínculo, não consigo me situar. Um paulista me falou no Ceará, com um inacreditável sotaque interiorano (pra quem estava longe de casa há 20 anos): "árvore que perde a raiz, seca e morre".
Precisava portanto me reencontrar comigo mesmo, com meus vários eus anteriores, colocar todo mundo numa sala pra conversar abertamente, restabelecer os vínculos, colocar o papo em dia, etc, para então poder continuar com meu presente.
Mas perder minha casa foi algo difícil de lidar.
Sempre fui muito caseiro, sempre gostei muito de ficar em casa, apesar de qualquer problema ou reclamação que tivesse. Ao me mudar, não consegui fazer a transferência, me perdi por não ter mais um lugar para me sentir em paz, calmo.
Contei na manhã de quinta-feira, 8 horas. Eu não consegui passar de 45 segundos sem que uma sinaleta de garagem tocasse. Cada sinaleta toca por entre 30 e 60 segundos. Fazendo uma aproximação esdrúxula, podemos dizer que das 7:30 às 9:30, as sinaletas tocam 50% do tempo, ou seja, o silêncio é quase uma exceção.
Sem contar o barulho do trânsito. Sem contar o barulho da academia e da casa de festas. Sem contar o barulho do restaurante argentino. Este é tão argentino que quando fecha ainda programa o alarme pra despertar 3 vezes por madrugada...
A vontade que tive na primeira noite que passei no novo apartamento foi ligar urgentemente pra imobiliária e o antigo proprietário e desfazer o negócio. A primeira semana foi um sofrimento inacabável. Não conseguia ficar parado em nenhum cômodo, passei noites em claro, evitava estar em casa, pegava o carro só pra sair dali.
Sempre tive medo de morar num lugar barulhento. Preciso agora aprender a conviver com isso. Sempre tive raiva quando via alguém jogar lixo no chão, preciso aprender a conviver com isso também. Motoristas avançando sinal, motos buzinando, cachorros sujando a rua... nada disso vai acabar. Nunca.
Eu lembro de uns anúncios de empresas de segurança e armamento que vi nos EUA, algo tipo "as guerras não estão indo a lugar nenhum e portanto nós também não". Acho que a idéia é mais ou menos essa. As pessoas irritantes deste mundo não estão com os dias contados. A violência não está prestes a acabar. Nem a injustiça. Nem a corrupção no Brasil. O Mundo não vai ser um dia, um lugar perfeito, sem medos, sem raivas, utópico. E eu, nos meus 30 anos, já devia ter aprendido isso.
Vivendo e aprendendo.
Eta nóis!
O Brasil não descobriu o Etanol, mas dominou o assunto, agora o mundo descobre o etanol brasileiro. Contudo, muitas dúvidas surgem ao longo desse caminho.
Como evitar que o plantio de cana acabe com a Amazônia?
Muito fácil, a própria incompetência brasileira. Afinal, nós mal conseguimos escoar a produção do litoral, que dirá a produção no meio da selva. A não ser que alguém nos venda um "canaoduto".
Como acabar com o trabalho escravo nas lavouras?
Com mais empresas plantando, com a melhora das vendas, a tendência é uma maior concorrência pela mão de obra. Alguns sugerem a substituição dos bóia-frias pelo trabalho forçado dos detentos, especialmente os presos por corrupção. Há quem sugira ainda que qualquer político que renuncie deva terminar seu mandato cortando cana.
Como evitar que o Brasil seja ameaçado por conta do "novo petróleo"?
É fácil, olhe nossa imensidão territorial e nossa população. Basta ninguém oferecer melhor futebol, melhor bebida e melhores mulheres. Pensando bem, um consórcio entre Itália, Escócia e Suécia poderia desestabilizar nossa nação!!








